Na sequência de algumas leituras que tenho feito sobre o papel dos activistas políticos em toda esta questão relacionada com os direitos da comunidade LGBT, chego à conclusão que a forma como nos defendem é errada, não completamente errada, e não sem fundamento, mas errada.
Do ponto de vista da acção política muito do que vemos é a implementação de princípios e conceitos que não chegam a funcionar, porque esbarram numa série de princípios também eles errados.
Corrijam-me se estiver errada, mas do ponto de vista político, aquilo que se faz é procurar limitar a linguagem ofensiva, em termos de discurso, utilizar uma escolha muito criteriosa de palavras politicamente correctas, proibir grupos sociais de discriminar a comunidade LGBT, implementar estudos sobre a diferença (a maior parte das vezes tentando explicar para se tornar aceitável), e por aí vamos…
Resumindo: limitar, eliminar, proibir e requerer é a linguagem dos activistas políticos. A política é um processo de manipulação coerciva que tem como fim o poder, e quando falha, o resultado é normalmente um debate feio, polarizado e dividido.
Voltando um pouco a um post anterior em que falava de harmonia, encontro nesse conceito uma linguagem e processos completamente diferentes. Nesta linguagem encontramos lugar para termos como: ouvir, compreender, aceitar, expandir e encorajar. Há um processo de interacção cujo fim pretendido é o respeito, e quando isto falha, o resultado é a dor.
Sem a dor, os activistas políticos não teriam campo de manobra, e a dor é o preço que inevitavelmente teremos de pagar no processo de construção da harmonia. Em vez disso, os activistas políticos querem fazer-nos acreditar que conhecem um atalho que passa ao lado da dor, mas estão errados. Eu sei que estão, porque as sugestões que eles vão fazendo falam directamente à minha própria dor.
A minha dor, mesmo quando ainda não tinha dado o passo de assumir publicamente a minha orientação sexual, era diariamente avivada pelos meus colegas de escola, pelos meus amigos e mais recentemente também pelos meus colegas de trabalho. Bastava ouvir as suas conversas e a forma como se referiam a mulheres como eu: fufas, sapatonas, anormais, etc.. Hoje, esta ainda é a realidade nas escolas do nosso país, e em muitos meios sociais.
O verdadeiro problema no entanto é a parte sentimental que está por detrás da linguagem ofensiva, não a expressão do sentimento. Se eu chego a casa e o visor do ar condicionado indica 8ºc, eu sei que terei de ajustar a temperatura, e de nada me servirá em vez disso dizer ao aparelho de ar condicionado para parar de indicar 8ºc porque isso me aborrece.
É certo que as pessoas não são aparelhos de ar condicionado, elas têm consciência e deviam ser responsabilizadas pelas suas acções. Mas pense um pouco e diga-me se realmente concorda e acredita nisso. Se alguém não se sente confortável junto de pessoas de uma determinada orientação sexual, não gosta de alguém de uma determinada raça, ou se opõe até à possibilidade de as mulheres terem um estatuto de igualdade em relação aos homens, posso condenar essa pessoa por ter esses sentimentos? Estarei suficientemente segura da minha própria moralidade para poder condenar os outros e dizer que eles são maus? Sei o suficiente sobre as emoções humanas para decidir à partida que nada justifica esse tipo de sentimentos e que assim, essas pessoas merecem ser castigadas?
Não. Eu recordo bem demais a forte influência da minha própria educação, imperfeita, e conheço bem demais os meus próprios erros para fazer tal julgamento.
Poderá dizer que não lhes estamos a pedir para mudar os seus sentimentos, mas apenas que não expressem sentimentos que magoem outras pessoas. Este é exactamente o ponto onde quero chegar.
A nossa constituição proíbe o racismo, sexismo e homofobia e desta forma obriga os cidadãos a agir como se não fossem racistas, sexistas ou homofóbicos, mesmo que a realidade seja outra. Mas do meu ponto de vista, só um político poderia encarar isto como uma vitória.
No passado, e relacionado com recomendações feitas sobre a limitação de expressão de ideias não Cristãs, Thomas Jefferson disse o seguinte: “A limitação pode fazer com que ele (um não Cristão) seja pior, transformando-o num hipócrita, mas nunca fará dele um homem mais verdadeiro”





