Arquivo de Maio, 2009

Não percebo…

Gosto muito de jantar fora, especialmente quando estou em boa companhia e quando não me apetece particularmente cozinhar, se bem que, por vezes faz parte do prazer de estar com alguém todo o ritual de preparar uma refeição especial, com carinho e com atenção aos pequenos detalhes que fazem toda a diferença.

Hoje foi um dos dias em que fui jantar fora. Mas não é do meu jantar que quero falar, ou pelo menos, não foi o meu jantar que directamente esteve na origem deste post.

Não percebo é qual a razão que leva duas pessoas (as que estavam na mesa ao lado) a escolher do menu precisamente o único prato que terão de ser elas próprias  a confeccionar? Não consigo perceber…

O conceito base de “jantar fora” não é precisamente o de não ter de cozinhar?

Calculo que o cozinheiro deve adorar quando alguém escolhe Fondue de Carne…

Já eu prefiro escolher um prato especial cuja confecção seja algo mais elaborada, ou até algo muito simples (só porque realmente não me apeteceu cozinhar), mas não escolhia simplesmente uns nacos de carne que são mergulhados em óleao a ferver, espetados nuns garfinhos… Mas isto sou eu que penso!

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Continuamos atrasados… como sempre!

PigArt

Caso suspeito no hospital de Ponta Delgada
20 | 05 | 2009   08.59H – Destak/Lusa
A mesma fonte não adiantou qualquer informação sobre o doente, afirmando apenas que se trata de uma pessoa sobre a qual recaem suspeitas da doença.

Segundo a rádio Antena 1, trata-se de uma mulher de 84 anos, que regressou há quatro dias dos Estados Unidos.

Terça-feira, o Ministério da Saúde disse que a mulher que estava internada desde segunda-feira no Hospital de S. João, no Porto, não estava infectada pelo vírus da gripe A (H1N1).

Portugal continua a registar apenas um caso confirmado de gripe A, desde o dia 24 de Abril.

Já começa a cansar esta “caça” incessante aos casos de contágio da gripe A no nosso país!
Até parece que a nossa tragédia no momento é o facto de não ter sido registado senão 1 único e mísero caso desta gripe, que ainda por cima foi perfeitamente controlado e tratado!

O nosso país é mesmo um caso raro e especial de atraso, e esta questão da pandemia, mais um excelente exemplo de como não sabemos fazer as coisas…
Já não bastou, por exemplo, a revolução de Abril que não registou mortes, mas sim as pessoas a distribuir cravos – razão pela qual nem devia merecer o nome de revolução, pois revolução que se preze tem mortes e muito sangue! – e agora, quando tanto se fala de pandemia, registamos um único caso no nosso país.
Parece que nem os vírus mais beras querem alguma coisa connosco… irra!

Eu que até nem sou de achar, acho isto vergonhoso e bem o exemplo de como continuamos atrasados em relação ao resto do mundo!

Oink!

O Amor e o Estômago

Tantas vezes já ouvi dizer que ao coração se chega pelo estômago… Eu sei, eu sei, não é assim para todas nós, mas segundo a sabedoria popular, será verdade para a maioria, ou pelo menos, este será um bom caminho para lá chegar! Será mesmo?

Pensei sobre este “princípio”, mas fiz uma abordagem diferente. Pensei em carência afectiva e amor. Há quem diga que a carência afectiva tem origem na nossa dificuldade em receber amor.

É aqui que o estômago entra…

Passo a explicar. Entendo o estado de carência afectiva assim como estar com fome e não ter estômago para digerir. O que levanta a questão: Como será que o nosso “estômago afectivo” se torna tão pequeno? Será porque nos fomos alimentando cada vez menos, à medida que o alimento emocional se tornou escasso ou invasivo?

Não foram poucas as vezes que os meus pais me disseram “Se comeres todo o jantar, podes comer a sobremesa…”. E assim chego novamente ao estômago…

Por outras palavras, por muito que este tipo de frase pareça inocente, acredito que revela também os condicionamentos pelos quais passei a aprender que receber modula o modo de ser.

Fui diminuindo instintivamente a minha receptividade ao associar a experiência de receber amor a vivências de insuficiência, abandono ou de um controlo excessivo.

Se nos sentimos manipulados ao receber alimentos, presentes, elogios, carícias e incentivos, associamos a ideia de receber com o dever de retribuir algo muitas vezes além da nossa capacidade ou vontade pessoal.

Não há estômago que aguente!

E foi assim, desta forma, subtilmente, com a intenção de me proteger do excesso ou da falta de atenção perante a necessidade de amar e ser amada que fui fechando o estômago, ou o coração… já não sei bem!

Isto é, fui formando camadas protectoras contra os ataques à minha vulnerabilidade. Este processo no entanto tem um efeito bastante grave: ao estar mais atenta ao que recebo do que ao que desejo, acabo por aprender a dar mais atenção ao mundo exterior que às minhas reais necessidades.

A necessidade de ser amada faz parte do meu instinto de sobrevivência, portanto é algo natural não só em mim, mas em todas nós, enquanto seres sociais. Mas, numa sociedade materialista como a nossa, onde a autonomia é sinónimo de maturidade, muitas vezes esta necessidade é vista como um sinal de imaturidade ou infantilidade.

Vou exemplificar melhor este drama. Quando a minha parceira se distancia, por razões que me são alheias, ela sente-se abandonada. Então, em vez de dizer: “Quero estar mais próxima de ti”, ela diz: “Estás distante!”. Este seu modo de me alertar sobre a sua carência é defensivo. Ela não está a agir abertamente, nem de forma transparente, pois por detrás da sua reclamação há um desejo de controlar, para que eu seja como ela quer. Eu, por minha vez, sentindo-me pressionada, perco a espontaneidade e afasto-me cada vez mais. Ela sente-se carente e torna-se refém da minha atenção!

Quando nos tornamos reféns do comportamento alheio, deixamos de estar ligadas ao nosso sentimento de amar e esperamos apenas ser amadas. Por outras palavras, ela deixa de perceber o que sente em relação a mim e apenas se atem ao que eu demonstro sentir em relação a ela. A expressão do afecto contrai-se sob a pressão e gradualmente ambas perdemos a espontaneidade.

Lá se vai o estômago… e o amor!


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