Interpretar literalmente

Aqueles que levantam a voz contra o casamento gay apelando  à interpretação literal de citações do velho testamento, tem de estar preparados para responder a outras questões levantadas por outras passagens.

Não é só pegar nas passagens que interessam para fazer prevalecer uma opinião ou para fazer passar um determinado ponto de vista como tantas vezes lemos e ouvimos por aí.

Em geral, a passagem mais citada nestes casos é Levítico 18:22: «Com homem não te deitarás, como se fosse mulher; abominação é;».

E, caso algum leitor que não goste de mulheres fique na dúvida, a Bíblia também proíbe que um homem se deite com qualquer outro animal :«Nem te deitarás com um animal, para te contaminares com ele; nem a mulher se porá perante um animal, para ajuntar-se com ele; confusão é.» [Levítico 18:23].

Suponho que o género do outro animal seja indiferente…

Curiosamente, quando a questão da homossexualidade e do casamento é levantada, a discussão tende a referir-se quase exclusivamente à homossexualidade masculina, e é aqui que enquanto lésbica me surgem algumas duvidas…

Será então que, no que diz respeito à homossexualidade feminina, o Velho Testamento tem alguma indicação sobre esta vertente?

Sabemos que a mulher não se pode “deitar” com um cavalo, ou um hamster. Mas e com uma outra mulher? Será também uma abominação, embora não tenhamos palavras sagradas para nos orientar? Certamente que os muitos filmes porno de sexo lésbico (quase sempre dirigidos ao publico masculino) vem demonstrar que o acto é possível… mas é condenável, ou não?

Haja alguém que me ilumine.

Sobre estas e outras questões, deixo-vos aqui um fragmento excelente de um episódio da série televisiva chamada “Os Homens do Presidente” e vejam a forma  como Bartlett (o presidente dos EU na série) “responde” a uma evangelista que interpreta literalmente a Bíblia.

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3 Responses to “Interpretar literalmente”


  1. 1 Milesaway Agosto 29, 2010 às 12:09

    Sobre as mulheres acho que não há legislação aplicável. É o chamado vazio legal. E quando toca a vazios, antes legais que intelectuais!…

    Wasp

  2. 2 Da Aldeia Agosto 31, 2010 às 02:27

    neste caso, o facto de as mulheres estarem uma vez mais relegadas a um segundo plano até que me agrada, embora não goste de qualquer espécie de vazios. 🙂

  3. 3 Valentina Setembro 1, 2010 às 19:22

    Há um filme, “Segredos Íntimos”, em que uma das protagonistas vê esse vazio, essa brecha na Torá (a personagem é judia), como uma permissão para a homossexualidade feminina. E justifica essa concessão com a tese de que no intercurso homossexual masculino, o esperma – considerado “o líquido da vida” – é desperdiçado (ou seja, a vida é descartada), por isso, apenas as relações entre homens são condenadas.

    Uma ideia torta, misógina, retirada de uma compilação de ideias tortas e misóginas, mas que serviu aos interesses da personagem.


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