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Contos da Diferença – Divulgação e Apresentação no Porto

contos

A menina Tangas do “Tangas Lésbicas” continua  o seu esforço de divulgação do livro – Colectânea de Contos –  “Contos da Diferença”. 

Não é tarefa fácil, mas vão surgindo boas críticas e vai aumentando o interesse pela obra, apesar de a aceitação ser muito “envergonha” por parte da comunidade onde os contos têm origem – a comunidade Lésbica, de onde seria de esperar uma aceitação mais calorosa.

O artigo acima foi publicado no passado fim-de-semana no Jornal Grande Porto, na sua versão impressa e de alguma forma é o cartão de visita para a apresentação que vai ter lugar também no Porto, próximo dia 17, às 22h, no Gato Vadio, na rua do Rosário.

Apareçam! Estão desde já convidad@s!

É claro que estou a puxar a brasa á minha sardinha… um dos contos (o mais giro de todos! 😛 ) é de minha autoria, e eu também vou estar presente.

“Conto” com a vossa presença, e vá lá… comprem o livro! 😉

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Lançamento de “Contos da Diferença”

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O livro Contos da Diferença, composto por 17 contos originais,  é o resultado da proposta do Blog Tangas Lésbicas e do esforços de várias mulheres em introduzir no panorama literário português o erotismo lésbico.  “As (suas) heroínas são, apesar disso,  mulheres como as outras, com os mesmos anseios e sonhos, com as mesmas dificuldades e êxitos, são pessoas com quem nos cruzamos todos os dias e das quais pouco ou nada se sabe.” (prefácio)

A apresentação do livro será realizada pela Professora Luísa Saavedra  (feminista;  docente na Escola de Psicologia da Universidade do Minho). Tratando-se de uma actividade de apoio ao MPI – Movimento pela Igualdade contaremos também com a presença da  Professora Francesca Rayner (MPI).

O serão contará ainda com a declamação de Helena Gonçalves (UMAR- Braga) e com a divulgação do Seminário Para Além do Arco-íris: Activismo LGBT e Feminista nos 40 anos de Stonewall.

UMAR-Braga
União de Mulheres Alternativa Resposta
Núcleo de Braga

http://umarbraga.wordpress.com/

Os pés crescem ao ritmo do amor?

Não, não sou cusca, mas por vezes é impossível deixar de ouvir a conversa que tem lugar ali ao nosso lado. E foi precisamente devido a uma conversa que ouvi que fiquei na dúvida sobre se poderia ser verdade que o amor possa interferir no crescimento dos pés. 

Aquilo que se sabe é que normalmente os nossos pés, variando um pouco de pessoa para pessoa, crescem até aos 16-18 anos de idade. Mas, eis que acabo de “descobrir” que afinal, talvez o crescimento dos pés esteja relacionado com outra coisa… nomeadamente, com o amor e a actividade sexual da pessoa… Passo a explicar:

Duas “primas” conversavam, e uma delas estava preocupada com a namorada pois descobriu que desde o inicio do namoro, os pés dela tinham começado a crescer e, em três meses de namoro, já o calçado com um número acima do que ela habitualmente calçava se mostrava “apertado”…

– Mas tens a certeza? Será que ela não te enganou quanto ao número que calça?

– Tenho a certeza sim… aliás, eu mesma lhe ofereci um par de sapatos lindos e não é que tivemos de os trocar pois não lhe serviam?

– Ah! Não será o caso de a miúda não cortar as unhas, pá?

– Não, nada disso, ela é até muito cuidadosa com essas merdas pá!

– Mas isso é muito estranho…

– A quem o dizes! Mas olha que estou quase convencida. Parece-me até ter alguma lógica!

– Mas lógica como?

– Bom, é um facto que a actividade sexual estimula o sistema hormonal. Assim sendo, não me parece estranho que o estímulo hormonal possa causar o crescimento dos pés!

– Mas que ideia mais maluca essa! Isso nem sequer tem comprovação científica!

– Não, não tem, mas que me parece óbvio, lá isso parece, pois se a função hormonal pode fazer crescer tantas outras coisas no nosso corpo, por que não também os pés?

– Então, mas a ser verdade, se vocês continuarem a namorar, ou se um dia chegam a casar, correndo bem a coisa entre vós, a miúda vai acabar a vida dela com umas barbatanas!

– Pois é,  já imaginaste? Menos mal que também descobri que quando me ausento por questões de trabalho o calçado lhe começa também a ficar “folgado”!

– Olha, menos mal, porque se na tua ausência os pés lhe continuassem a crescer, é que tinhas um verdadeiro problema!

😛

Paragem de autocarro

Estava um dia horrível. Daqueles dias em que, sem que algo o fizesse prever, no meio de um calor intenso e húmido, começou a chover torrencialmente e apanhou toda a gente de surpresa.

Corri para me abrigar na paragem de autocarro que me levaria de volta à Aldeia, mas mesmo assim não consegui evitar uma grande molha. O meu humor também já tinha conhecido melhores dias e aquele calor seguido da chuvada torrencial não contribuíram certamente para o melhorar. O jornal que acabara de comprar no quiosque, utilizei-o como abrigo da chuva enquanto corria para a paragem. Pura tolice, eu sei, pois não só não me evitou a molha, como acabou por ficar empapado e num estado irrecuperável.

Para melhorar as coisas, eis que passa um daqueles condutores espertinhos que fazem questão de acertar nas poças de água que se formam quando chove e se divertem à custa dos transeuntes… acertou em cheio na poça que se formara em frente à paragem e apanhei um banho de alto a baixo! Enquanto o insultei de tudo o que me veio à cabeça tentei sacudir a água da roupa… em vão. Sentei-me furiosa no pequeno banco da paragem de autocarro, procurando um ângulo em que a chuva que teimava em cair não me atingisse.

Coloquei a minha cara 38 e estava capaz de morder o primeiro incauto que se aproximasse e tentasse sequer trocar uma palavra comigo. Enquanto maldizia o tempo e a vida, só desejava que o autocarro chegasse e me levasse a casa onde um bom duche quente talvez me salvasse daquele estado miserável.

Foi neste momento que senti que alguém se aproximava de mim e olhei com a minha cara de poucos amigos para evitar qualquer tipo de conversa. Era uma mulher jovem, muito bonita, que tentava também abrigar-se da chuva no espaço exíguo da paragem onde eu me encontrava. Não sei de onde veio a minha súbita boa disposição e vontade de comunicar, mas ao olhar aquela mulher, de imediato a minha cara se transformou num sorriso amistoso e prontamente me desloquei um pouco para o lado, no banco, dando-lhe espaço para que se sentasse, apesar de isso implicar que eu iria ficar um pouco exposta à chuva.

– Está um dia horrível, não está? – Perguntei.

– Sim, está mesmo. – Respondeu, enquanto com um lenço procurava enxugar o rosto, o que a fez ficar praticamente sem maquilhagem, mas tornou o seu rosto ainda mais radiante.

Ela trazia vestida uma camisa e uma saia, roupa típica de quem trabalha num escritório ou algo do género, mas que com a chuva se haviam colado por completo, delineando perfeitamente as linhas do seu corpo.

– Vem do trabalho? – Perguntei. Aliás, foi a única pergunta que me ocorreu e que me permitiria ganhar mais algum tempo para poder continuar a olhar para ela e para o seu bonito corpo, admirando as suas formas sem me tornar suspeita.

– Sim, venho. Esta chuva apanhou-me completamente desprevenida. Estou encharcada. – Respondeu com ar pesaroso.

Estive a ponto de lhe dizer que apesar do desconforto, aquela chuva lhe assentava muito bem. O efeito causado no seu cabelo longo e molhado, a roupa colada ao corpo, o rosto lavado e reluzente… em vez disso, saíu-me uma frase que ainda hoje me pergunto onde a fui buscar:

– O aquecimento global está a fazer notar cada vez mais os seus efeitos.

– Sim, é verdade. – Disse com um sorriso.

Mas que estava eu a dizer? Que raio de conversa mais gasta era esta que eu estava a fazer? De onde vinham aquelas palavras. Nunca na minha vida me imaginaria sequer a fazer uma conversa destas.

– Está a chegar o meu autocarro! Também vem neste? – Perguntou-me.

– Não. Vou para outro lado. – Respondi.

Sorriu e começou a encaminhar-se para o autocarro. Foi então que me surpreendi ainda mais a mim própria, quando ouvi a minha voz dizer bem alto:

– Olhe… Obrigada!

Ela parou, deu meia volta e olhou para mim com um ar de incredulidade e surpresa que me fez desejar enfiar pelo chão abaixo e pedindo a todos os santos para que mais ninguém tivesse ouvido o que eu acabara de dizer.

– Obrigada? Porquê? – Perguntou-me.

– Por me ter alegrado o dia. – Respondi.

Ela acenou um adeus com a mão e correu para o autocarro que entretanto já retomava a sua marcha.

Dirigi-me ao cesto do lixo mais próximo e arremessei lá para dentro o jornal empapado que ainda tinha na mão, como se com aquele gesto pudesse também retirar da minha cabeça aquela linda jovem e os meus pensamentos sobre ela. Olhei ainda enquanto o autocarro se afastava e fiquei ali na paragem aguardando a chegada do meu autocarro, com uma diferença; agora, para além do mau humor que voltou, estava também acompanhada de um estranho sentimento de perda.

Como é que ela poderia saber?

Depois de ponderar um pouco a resposta respondi-lhe:

– Sinto-me muito atraída por ti.

Em resposta ela disse-me:

– Gostaria de ficar esta noite abraçada a ti e gostaria que fossemos capazes de o fazer.

Só o pensar nessa possibilidade deixou-me excitadíssima, mas acabei por responder de uma forma quase fria:

– Acho que podemos fazer isso, sim.

Quando chegámos ao quarto, parámos, algo hesitantes por um breve momento, mas logo ela abriu os seus braços e eu caminhei para dentro deles. Começámos a beijar e deitámos sobre a cama. Deitei-me sobre o corpo dela, quente e macio. Segurei o seu rosto e beijei-a profundamente enquanto ela percorria todo o meu corpo com as suas mãos. Doces palavras saíram dos seus lábios, segredando, dizendo tudo o que ia pensando e sentindo. A sua forma de verbalizar o que sentia era incomparável a qualquer outra experiência que eu tivera até ali, mas era exactamente aquilo com que eu sonhara ouvir. Como é que ela poderia saber?

Ficámos abraçadas, e mais tarde deslizei para o seu lado. Ela entretanto adormeceu nos meus braços, mas eu não conseguia dormir porque sentia como se um tremor de terra tivesse acabado de abalar toda a minha vida. Algo que aconteceu de forma tão natural e que sentimos ser tão certo acabava de mudar a forma como eu via a minha sexualidade, a minha vida e a minha melhor amiga. Eu nunca mais seria a mesma desde aquele momento.

Quando as férias acabaram e regressámos às nossas casas, não contei estes acontecimentos, nem mesmo a algumas das poucas pessoas, em quem sabia que poderia confiar para partilhar algo tão importante, pelo simples facto de  a minha melhor amiga ser casada. Mas, acima de tudo, fiquei a saber que havia encontrado a felicidade nos braços de uma mulher.

Desde então, tenho vivido a vida que sinto que devo viver. Se me perguntarem se sinto a falta de um relacionamento com um homem, a resposta é não. Estive com algumas outras mulheres desde então, mas apenas duas delas se tornariam relacionamentos sérios e sólidos. Uma dessas relações durou alguns anos. A outra, é aquela que eu vivi até agora, com a qual esperava ter uma longa e bonita vida juntas. Não me imaginava a viver de outra forma.

Não, nem sempre é fácil, mas orgulho-me de ser quem sou e não estou minimamente preocupada com o que os outros possam pensar ou dizer. Posso ir onde quiser, fazer o que bem me apetecer, e sou livre para amar a pessoa que escolher.

A viagem

A viagem foi uma decisão de última hora, como se uma voz interior me incitasse a ir. A necessidade de estar perto de amigas, da camaradagem e das férias em si foram argumentos mais do que suficientes para que eu me decidisse a ir.

O local para onde fomos situava-se à beira mar, tinha bastante animação com bares, restaurantes e discotecas por perto que nos permitiram sair diversas vezes e descobrir locais realmente interessantes onde podíamos passar umas boas horas em conjunto.

Uma noite eu e a minha melhor amiga decidimos aventurar-nos sozinhas e ir até um bar junto à praia. A noite foi animadíssima. Rimos enquanto recordamos inúmeras histórias que tínhamos vivido juntas, partilhámos histórias mais íntimas sobre as quais nunca havíamos falado uma à outra. Os laços da nossa amizade estavam mais sólidos e eu sentia que ela era verdadeiramente uma das pessoas mais interessantes que partilhavam a minha vida e que eu alguma vez conhecera.

Ela estava linda e usava uma maquilhagem discreta que fazia sobressair os seus bonitos olhos e a boca, como que dizendo “olha para mim”, e claro, eu olhei. Muito. No entanto, as minhas intenções eram ainda e só de partilhar aqueles bons momentos com a minha melhor amiga e sabia que não poderia colocar a nossa amizade em cheque com algum avanço impensado.

Quando regressávamos ao bungalow alugado onde estávamos instaladas, ela quis ir pela praia. Mas, assim que concordámos em fazer isso, caiu uma tempestade que nos obrigou a correr para casa.

Raios e trovões iluminavam os céus e caíam sobre o mar. Ficámos a observar aquele espectáculo, maravilhadas, no alpendre do bungalow. Lá dentro, a casa estava sossegada, já era tarde e nós estávamos ali a testemunhar um momento mágico recostadas nas espreguiçadeiras.

Foi então que ela me fez a pergunta, uma pergunta que ela própria descreveria como embaraçosa.

– Marta – perguntou-me em voz doce – o que é que pensas sobre nós neste preciso momento?

Percebi de imediato que ela se referia ao único momento em que alguma vez falámos sobre a nossa possível atracção uma pela outra.

(Continua...)

Aqui começa a aventura

Sei que sou lésbica desde muito nova. De facto, o gostar de outras mulheres começou quando eu ainda andava no colégio. No entanto, durante muito tempo não dei muita atenção a esse facto e tomava essa atracção como algo inocente. Tive namorados, mas os relacionamentos foram quase sempre só num sentido, quer dizer, nunca muito correspondidos por mim.

Os meus pais por seu lado, esperaram sempre que eu tivesse não importa quantos relacionamentos, mas que um dia acabasse por casar, tivesse filhos e uma vidinha normal, como todas as outras minhas amigas.

Mas eu não era feliz. Até que um dia aconteceu algo que viria a mudar a minha vida para sempre. Decidi ir de férias com um grupo de amigas, entre as quais se encontrava aquela que eu considerava a minha melhor amiga e sobre quem eu tinha, para além da amizade, alguns sentimentos por definir.

E aqui começam as aventuras e desventuras da Lésbica da Aldeia


Novembro 2017
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