Posts Tagged 'Lésbica'

Lá, como cá…

O ‘Washington Blade’, publicação pioneira na informação dirigida à comunidade homossexual e transexual dos Estados Unidos, fechou as portas 40 anos depois do seu surgimento.

Ler notícia aqui

Anúncios

Limitação e proibição

Na sequência de algumas leituras que tenho feito sobre o papel dos activistas políticos em toda esta questão relacionada com os direitos da comunidade LGBT, chego à conclusão que a forma como nos defendem é errada, não completamente errada, e não sem fundamento, mas errada.

Do ponto de vista da acção política muito do que vemos é a implementação de princípios e conceitos que não chegam a funcionar, porque esbarram numa série de princípios também eles errados.

Corrijam-me se estiver errada, mas do ponto de vista político, aquilo que se faz é procurar limitar a linguagem ofensiva, em termos de discurso, utilizar uma escolha muito criteriosa de palavras politicamente correctas, proibir grupos sociais de discriminar a comunidade LGBT, implementar estudos sobre a diferença (a maior parte das vezes tentando explicar para se tornar aceitável), e por aí vamos…

Resumindo: limitar, eliminar, proibir e requerer é a linguagem dos activistas políticos. A política é um processo de manipulação coerciva que tem como fim o poder, e quando falha, o resultado é normalmente um debate feio, polarizado e dividido.

Voltando um pouco a um post anterior em que falava de harmonia, encontro nesse conceito uma linguagem e processos completamente diferentes. Nesta linguagem encontramos lugar para termos como: ouvir, compreender, aceitar, expandir e encorajar. Há um processo de interacção cujo fim pretendido é o respeito, e quando isto falha, o resultado é a dor.

Sem a dor, os activistas políticos não teriam campo de manobra, e a dor é o preço que inevitavelmente teremos de pagar no processo de construção da harmonia. Em vez disso, os activistas políticos querem fazer-nos acreditar que conhecem um atalho que passa ao lado da dor, mas estão errados. Eu sei que estão, porque as sugestões que eles vão fazendo falam directamente à minha própria dor.

A minha dor, mesmo quando ainda não tinha dado o passo de assumir publicamente a minha orientação sexual, era diariamente avivada pelos meus colegas de escola, pelos meus amigos e mais recentemente também pelos meus colegas de trabalho. Bastava ouvir as suas conversas e a forma como se referiam a mulheres como eu: fufas, sapatonas, anormais, etc.. Hoje, esta ainda é a realidade nas escolas do nosso país, e em muitos meios sociais.

O verdadeiro problema no entanto é a parte sentimental que está por detrás da linguagem ofensiva, não a expressão do sentimento. Se eu chego a casa e o visor do ar condicionado indica 8ºc, eu sei que terei de ajustar a temperatura, e de nada me servirá em vez disso dizer ao aparelho de ar condicionado para parar de indicar 8ºc porque isso me aborrece.

É certo que as pessoas não são aparelhos de ar condicionado, elas têm consciência e deviam ser responsabilizadas pelas suas acções. Mas pense um pouco e diga-me se realmente concorda e acredita nisso. Se alguém não se sente confortável junto de pessoas de uma determinada orientação sexual, não gosta de alguém de uma determinada raça, ou se opõe até à possibilidade de as mulheres terem um estatuto de igualdade em relação aos homens, posso condenar essa pessoa por ter esses sentimentos? Estarei suficientemente segura da minha própria moralidade para poder condenar os outros e dizer que eles são maus? Sei o suficiente sobre as emoções humanas para decidir à partida que nada justifica esse tipo de sentimentos e que assim, essas pessoas merecem ser castigadas?

Não. Eu recordo bem demais a forte influência da minha própria educação, imperfeita, e conheço bem demais os meus próprios erros para fazer tal julgamento.

Poderá dizer que não lhes estamos a pedir para mudar os seus sentimentos, mas apenas que não expressem sentimentos que magoem outras pessoas. Este é exactamente o ponto onde quero chegar.

A nossa constituição proíbe o racismo, sexismo e homofobia e desta forma obriga os cidadãos a agir como se não fossem racistas, sexistas ou homofóbicos, mesmo que a realidade seja outra. Mas do meu ponto de vista, só um político poderia encarar isto como uma vitória.

No passado, e relacionado com recomendações feitas sobre a limitação de expressão de ideias não Cristãs, Thomas Jefferson disse o seguinte: “A limitação pode fazer com que ele (um não Cristão) seja pior, transformando-o num hipócrita, mas nunca fará dele um homem mais verdadeiro

Homossexual e Cristã

A moralidade Cristã inequivocamente condena a homossexualidade.

Sinto-me obrigada a fazer esta afirmação em pleno século XXI, quando observo debates e verifico que são muitos os que ainda hoje seguem a tradição conservadora – que encontramos especialmente no seio da Igreja católica – quando não têm mais argumentos e tudo o mais falha.

As pessoas tendem a ter memória curta, especialmente no que diz respeito à história, ou então, segundo critérios de conveniência, apenas recordam aquilo que lhes possa favorecer a argumentação.

Para esses faz então falta reavivar a memória e assim sendo, recordemos que este tipo de argumentação a que tantas vezes assistimos, levantado contra a comunidade Gay em geral, foi também o tipo de argumentação avançada para apoiar a ideia de que o Sol girava em torno da Terra, a razão pela qual os canhotos são ainda hoje “sinistros”, que a masturbação é coisa do Diabo, que as mulheres devem ser subjugadas, que as lojas devem fechar aos Domingos, etc., etc., etc.

Curiosamente verificamos no entanto que muitas são as restrições do Antigo Testamento que não são observadas pelos Cristãos de hoje – Nem vou questionar aqui o porquê.

Em meu entender, o movimento levado a cabo por Cristo foi precisamente, em muitas vertentes, uma reacção contra a mentalidade vigente na época, que procurava impor cegamente determinado tipo de regras. Nas escrituras, Paulo condena a homossexualidade juntamente com praticamente todos os tipos de sexualidade, mas importa dizer também que Cristo nada disse sobre este assunto.

Assim, cai por terra a argumentação algo fundamentalista que procura fazer acreditar que uma pessoa não pode ser ao mesmo tempo homossexual e Cristã.

Encurtar distâncias

Todas nós procuramos a harmonia. Todas nós precisamos de harmonia. Quando nos encontramos num grupo de pessoas que difere muito de nós, sentimo-nos de fora, estranhas: sentimos a falta de harmonia.

Este desconforto ganha especial relevância para aquelas que são apanhadas entre o seu sentido de identidade pessoal e as atitudes sociais que prevalecem. Estas pessoas encontram-se divididas entre duas direcções.

Se o seu foco for em si próprias, em quem elas são realmente, tornam-se estranhas dentro da comunidade. Se por outro lado fizerem o que for necessário para se juntar à comunidade, tornam-se estranhas para elas próprias. Estas pessoas sabem não só o que significa sentir a falta de harmonia, mas também o que é viver a falta de harmonia.

Eu aprendi o que é ser uma estranha. Como resultado, acredito que tenho muito em comum com pretos, asiáticos e outras ditas minorias ou grupos, como se quiser chamar. Enfrentamos muitos dos mesmos problemas.

Deveríamos então dirigir a nossa energia no sentido de fortalecer a nossa “comunidade” ou no sentido de educar a “comunidade” predominante? Estamos dispostas a assimilar? Ou lutamos por uma mudança radical? Devemos mostrar humildade e perdão quando a nossa “comunidade” é atacada e esperar que num futuro distante a sociedade venha a corrigir as suas atitudes? Ou decidimos que somos umas “gandas malucas” e não vamos aceitar absolutamente mais nada disto?

Muito se tem discutido sobre como encurtar as distâncias entre “comunidades”, para minimizar a dissonância que os seus “membros” sentem. A maioria concorda que a mudança é desejável, mas em que direcção? Parece que não nos conseguimos decidir…  

Lésbica Universal

A propósito da apresentação do livro “Contos da Diferença”, no Porto, no passado dia 17 de Outubro, tenho andado aqui a “remoer” sobre uma questão que foi levantada por alguns dos presentes.

A questão prende-se com o facto de o livro ser apresentado como “Literatura Lésbica”,  o que, segundo a opinião de algumas das pessoas presentes, pode ser bastante redutor ou limitador do público que poderá ter acesso à obra.

Diziam estas pessoas que o livro devia simplesmente ser apresentado como “Literatura Universal”. Desta forma acabava-se com o rótulo “Lésbico” e toda a gente podia pegar no livro para ler.

Eu já estou habituada a rótulos. Não gosto deles, especialmente daqueles que denotam preconceito, mas o facto é que todos nós rotulamos tudo, até para nos facilitar a vida. Somos assim.

Por esta ordem de ideias, não teria qualquer problema em ver substituído o rótulo “Literatura Lésbica” por “Literatura Universal”, no entanto, fico com a sensação de que esta não seria a solução. Só posso falar por mim própria, claro está, mas iria certamente achar estranho entrar numa livraria e encontrar um livro do “Asterix e Obelix” no meio da Literatura Universal… no mínimo iria pensar que “estes livreiros estão loucos”!

Tentar retirar o peso das palavras, substituindo “Lésbica” por “Universal” pode ser uma táctica, mas não creio que resulte.
No fundo, trata-se apenas de mais um rótulo, de mais uma forma de preconceito, ao não querer deixar visível a palavra “Lésbica” em todo o seu pleno significado, tratando-a como se esta fosse um repelente.

Quando estas pessoas têm medo ou vergonha de entrar numa livraria e pegar num livro para ler, só porque este está na secção de literatura “Gay/Lésbica”, então como é que em público eu posso estar com essas mesmas pessoas, se elas têm medo ou vergonha de me assumir pela “Lésbica” que sou?

Será que ajudaria se eu passasse a apresentar-me como “Lésbica Universal”?

Contos da Diferença – Divulgação e Apresentação no Porto

contos

A menina Tangas do “Tangas Lésbicas” continua  o seu esforço de divulgação do livro – Colectânea de Contos –  “Contos da Diferença”. 

Não é tarefa fácil, mas vão surgindo boas críticas e vai aumentando o interesse pela obra, apesar de a aceitação ser muito “envergonha” por parte da comunidade onde os contos têm origem – a comunidade Lésbica, de onde seria de esperar uma aceitação mais calorosa.

O artigo acima foi publicado no passado fim-de-semana no Jornal Grande Porto, na sua versão impressa e de alguma forma é o cartão de visita para a apresentação que vai ter lugar também no Porto, próximo dia 17, às 22h, no Gato Vadio, na rua do Rosário.

Apareçam! Estão desde já convidad@s!

É claro que estou a puxar a brasa á minha sardinha… um dos contos (o mais giro de todos! 😛 ) é de minha autoria, e eu também vou estar presente.

“Conto” com a vossa presença, e vá lá… comprem o livro! 😉

Ontem ganharam todos! Os políticos, pelo menos…

No rescaldo das eleições Legislativas 2009, o Parlamento parece uma manta de retalhos.
Até aqui tudo bem, porque eu até gosto de artesanato!

Já quanto à governabilidade e à estabilidade que são tão desejáveis, parece-me que não vai haver condição… isto a avaliar pelos discursos que ouvimos a cada um dos cinco partidos que têm assento na Assembleia.
A CDU devia mesmo cobrar direitos de autor, pois parece que a sua cassete de discurso de vitória foi pirateada!

Ontem ganharam todos! Os políticos, pelo menos…

Há dúvidas? Não.

Quem ganhou foi o PS e José Sócrates, porque foi quem teve mais votos e mais mandatos, apesar do desgaste governativo, de toda a contestação e de todo o tipo de acusações a que foi sujeito na fase final do seu mandato. Perdeu mais de 20 deputados no parlamento e mais de 10 pontos percentuais em relação às Legislativas anteriores. Os resultados das Europeias faziam antever um cenário ainda pior para o PS, mas não foi isso o que se verificou.

O PSD pretendia alcançar uma vitória, mas fracassou. No entanto, a “vitória” de MFL reside no facto de, em relação às últimas Legislativas, ter conseguido aumentar em algumas décimas a sua votação bem como o número de deputados eleitos.
A meu ver, as razões da derrota do PSD assentam em três grandes erros cometidos pela sua liderança: A escolha das listas de deputados. A campanha feita de casos, suspeições e acusações ao governo e PS, bem como a estafada ideia da asfixia democrática e social. E uma campanha cinzenta e vazia de ideias e projectos para o País que contribuíram decisivamente para a vitória do PS e para a recuperação do CDS-PP.

Por seu lado, Paulo Portas parace estar convencido que, assim de repente, houve muita gente que se converteu à democracia cristã! (Acredito que quando o PSD tiver finalmente um líder competente o CDS-PP vai esvaziar-se outra vez), mas a verdade é que conseguiu obter um resultado histórico, e pode agora, em conjunto com o PS ou com o PSD, alcançar a maioria Parlamentar. Cá estamos para ver o que ele vai fazer com os dois dígitos alcançados, e com o consequente “poder de decisão” que o povo lhe atribuiu.

Francisco Louçã viu aumentar exponencialmente a votação no seu BE, com base essencialmente no voto de protesto de algumas classes sociais, que normalmente não votariam tão à esquerda.
Mas, feitas as contas, não obteve a capacidade que pretendia para exercer a influência sobre o governo, pois o número de deputados que alcançou não lhe permite “acenar” à maioria relativa do PS com a base necessária para alcançar os 116 deputados necessários para uma votação em maioria, e como tal, não tem capacidade de persuasão para tentar implementar as suas políticas. Também não se transformou na 3ª força política como tantos chegaram a pensar que aconteceria!

A CDU manteve-se fiel a si própria durante a sua campanha, conseguindo também aumentar a sua votação e o número de deputados eleitos, mas também não consegue em conjunto com o PS obter a representação parlamentar necessária para uma votação maioritária.

E quanto a isto, agora só ponho à vossa disposição um pequeno exercício: se o PS conseguiu vencer as eleições, mesmo com esta crise dentro e fora de casa, como é que será quando a crise acabar? Se calhar serão mais 4 anos.

Por mim, não vejo mal nenhum nisso, desde que na próxima legislatura não se volte a repetir o que se passou na última. Desta feita, faz parte do programa de governo do PS a aprovação do Casamento Civil entre pessoas do mesmo sexo, e, a não ser que desta feita seja o BE e/ou a CDU que se recusem a apoiar o governo, teremos condições para ver essa legislação aprovada por maioria (PS, BE e CDU).
Vou ficar atenta às agendas de cada um deles!

Se V/Excelências estão incomodadas com o facto, lutem para que tal não volte a acontecer.
Simples, não é?
Ah, e gostei muito de ver o M.V. Almeida e mais uma quantidade de gente agitando as bandeiras LGBT no Altis, durante os discursos de Sócrates… como quem diz: Estás à escuta?! 🙂

A propósito das escutas, se o PR não esclarecer devidamente os Portugueses sobre esta questão (deixando-se de ridículos tabus!), poderá ser o 1º Presidente em Democracia que não conseguirá renovar o seu mandato! Escutemos pois o que o PR terá para nos dizer!


Agosto 2018
S T Q Q S S D
« Set    
 12345
6789101112
13141516171819
20212223242526
2728293031  

Creative Commons

Creative Commons License

Email me!

lqsa . wordpress @ gmail . com

Anúncios